terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vamos passear na city, enquanto o barco não vem.

Chegar em Apicum-Açu sem ter programado um barco antes, o obriga a fazer um belo exercício de prospecção e paciência: prospecção para achar alguém que o transporte até a ilha, paciência para matar o tempo enquanto espera a solução. Só ontem, para passar o tempo, fiquei mais de três horas e meia na internet e dei umas trocentas voltas na cidade - como é uma cidade pequena onde qualquer estranho chama atenção, além do arrojado e inovador design do "Red-Bull", devo estar mais conhecido que farinha. Hoje deve ser mais ou menos a mesma coisa. Não há praias por perto que possa ir de carro. Tenho uma promessa de barco, mas depende de alguém que ainda vem das bandas de Turiaçú.

Esta foto tem duas finalidades: provar que estou no Maranhão, pois somente aqui tem Guaraná Jesus –“o sonho cor-de-rosa de toda criança”, e fazer inveja a Claiton, que adora isto.
Dizem as más línguas que o modo de fabricação é o seguinte: as índias mascam chiclete tutti-frutti e vão cuspindo num balde. Depois é só engarrafar ... Eco!Será? O guaraná Jesus talvez seja o mais conhecido dos refrigerantes regionais. Competia em pé de igualdade com a Coca-Cola até que  a multinacional resolveu comprar a fábrica maranhense. A cor rosa da bebida parece muito artificial, mas na verdade vem de corantes de cascas de árvores. Seu sabor é de cravo e canela, bem diferente do encontrado normalmente pelo país. O hábito de consumi-la no Maranhão é tão forte que algumas mães tiram seu gás para dar Jesus aos filhos desde cedo. O curioso é que o inventor, Jesus Norberto Gomes, era ateu e tinha fama de ter um pacto com o demônio. Chegou até a ser excomungado por dar uma surra em um padre. A bebida, que tem a cantora Alcione como embaixadora informal no Rio de Janeiro, ganhou a classificação ouro de melhor estratégia de marketing no importantíssimo Idea Awards (International Design Excellence Awards). Veja esta história em

Visão noturna do cais do porto. O movimento continua até tarde. As lojas comerciais também ficam abertas funcionando a todo vapor.

Pense num lugar para ter urubús. Tem em toda parte. Este estava tranquilamente pousado no quintal da Pousada Cobra esperando o momento certo para comer os restos da comida do cachorro, que dorme impunemente.

A rua principal que leva ao porto é um aterro sobre o mangue. Em ambos os lados as casas erguem-se sobre palafitas.

Ainda estou esperando transporte para a Ilha dos Lençois mas já vejo um pouco da fauna. Nesta foto, junto do porto, temos um  maçarico, um guará e uma garça.

A amplitude da maré aqui é bem grande, passa dos 4 metros (no Maranhão tem lugar que passa dos 10 metros). Ainda bem que o fundo é de lama e não estraga o fundo dos barcos quando eles “cepam”.

O barco “Comandante Robert” só vai amanhã. Estou tentando ir neste bote de pesca apinhado de redes e outros apetrechos, e sem nome pintado no costado - será que dá azar?

Gosto de olhar os cais das pequenas vilas costeiras – o vai-e-vem dos barcos tem um ar diferente das nossa srodoviárias, que cumprem papel semelhante nas nossas metrópoles. Sempre me lembro do movimentado e belo cais de Galinhos/RN.

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