sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Travessia para a Ilha dos Lençóis

Oopps, mais uma vez mostrei o barco errado.  Informação precisa não é o forte por aqui no cais do porto. O barco correto é este branco, bem pequenininho.

Nosso barquinho na verdade estava saindo para uma pescaria, todo apetrechado para isto, com uma imensa rede no  convés (mais de 500m de rede).  Abaixo os marinheiros abastecendo de gelo.
 

Enquanto ocorriam as intermináveis indas e vindas dos marinheiros levando os troços, todos esperavam mais ou menos pacientemente que os serviços terminassem para podermos embarcar. Não há hora certa. Me lembrava aquela música que Chico canta – “esperando parada pregada na pedra do porto, com seu único velho vestido cada dia mais curto ... laiá laiá laiááááá”.


Mesmo carregado com apetrechos de pesca nosso barquinho, “6 irmãs”, recebeu cerca de 15 passageiros e muita bagagem. Teve uma família que desistiu de ir com mêdo da superlotação. Até porque a ida é contra as ondas e o vento; o barco bate muito e os borrifos que sobem dá um banho geral em todos.

 Não há abrigo para todos, a maioria, inclusive crianças, viaja no convés sob um sol escaldante e o chuvisco contínuo da água salgada.

No começo tudo sao flores, sao canais de águas tranquilas. Mas é a parte mais curta.

Taí um bom exemplo de perseverança: este senhor não perdeu tempo e foi lendo enquanto a navegação era por canais tranquilos e o barco não balançava muito.

Pelo caminho vamos tomando contato com as diferenças regionais. No meio da imensa baia dos lençois os pescadores de camarão erguem estas palafitas onde ficam vários dias abrigados e pescando. Passamos perto de dezenas delas. Uma das ilhas desta baía é Valha-Deus - por que será?

Aos poucos o sol vai se aproximando do final da sua missão diária, nos brindando com belas imagens. Será que só chegaremos à noite?

Minha primeira visão das dunas de Dom Sebastião. O coração bate mais forte. Como são altas! Será que vou ter que subi-la com a bagagem nas costas para chegar à vila, como passou no programa de TV? Dá mais de 50m de altura com uma areia fina e fofa como pó.
 

Nossa chegada triunfal após três horas e meia. Alívio, a caminhada é de 500m no máximo e não precisa subir as dunas, é pela praia plana.

Enfim a vila dos lençóis. Como uma dama misteriosa só deixou que minha primeira aproximação fosse à noite, deixando suas belezas envoltas em mistérios. Me atirei em seus braços avidamente - dormirei com ela e só amanhã a conhecerei melhor. Senti a mesma emoção quando, há 30 anos atrás, cheguei em Canoa Quebrada e em Jericoacoara.
 

Atrás de mim os últimos raios de sol banham as famosas dunas – ou morrarias como os nativos carinhosamente chamam.O astro rei está me entregando à dama da noite. Será que Dom Sebastião já está “vestindo” sua fantasia de touro negro?


No lado oposto do canal  o povoado de Bate-Vento acena para nós. Lá só tem energia elétrica das 18:00 às 21:00, gerada a diesel. Na “nossa” ilha tem dois geradores eólicos (tinha três mas um quebrou) que garante o abastecimento ininterrupto – dizem que são os únicos do Maranhão – será mesmo?
 

É fácil achar as pessoas na vila, não deve ter mais que 60 casas e menos de 400 habitantes. É só sair perguntando que loguinho se chega onde se deseja. Quando achei o Hélio foi só dizer: “Um tal de Jorge Dino, lá de Cururupú, me disse que se eu chegasse na sua casa teria hospedagem, comida boa e boa companhia, isso é verdade?” Abriu-se um imenso sorriso de boas vindas. Ele saiu correndo para pescar e me deixou aos cuidados da Marluce. Valeu a pena não ter almoçado aquela comida horrível de Apicum-Açú, só assim sobrou mais espaço para um delicioso, imenso e abundante camarão.

 Havia um casal de italianos hospedado na pousada, mas a energia só deu para dar um rápido boa noite. Pulei nos braços de Morfeu, fui para os lençois - literalmente. Quando acordei eles já tinham partido. Que pena, eu poderia ter pego muitas dicas de locais interessantes com eles. Bom, depois acho outras fontes.

Um comentário:

  1. Minha terra, saudades desse paraíso... Um dia voltarei pra lá, e parabés pela posagem, bem interessante!

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