segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ilha de Lençóis - Lenda do Rei Sebastião

Dom Sebastião (1554 - 1578), décimo sexto rei de Portugal, cognominado O Desejado, por ser o herdeiro esperado da Dinastia de Avis, mais tarde nomeado O Encoberto ou O Adormecido, herdou o trono em 1557 quando tinha apenas três anos  de idade. Durante sua menoridade a regência foi exercida por sua avó Catarina da Áustria, viúva de D. João III, seguida pelo tio-avô Cardeal Henrique de Évora. Aos 14 anos, quando finalmente assumiu o trono, tinha a saúde débil, o espírito fraco e a mente sonhadora, razão pela qual, ao invés de administrar o vasto império de que era senhor, formulava planos para batalhas imaginárias e conquistas retumbantes, além de projetos visando a expansão da fé católica, profundamente convencido de que seria ele o capitão de Cristo numa nova cruzada contra os mouros do norte de África. Por isso começou a preparar-se para a expedição contra os marroquinos da cidade de Fez.
Por achar que aquela idéia era uma loucura, seu tio Filipe II, rei da Espanha, esquivou-se de acompanhá-lo e, por isso, o exército português partiu sem reforços, desembarcando em Marrocos no ano de 1578. Uma vez lá, o rei ignorou os conselhos dados por seus generais e decidiu avançar imediatamente para o interior, em busca do inimigo.
Ele desapareceu na batalha de Alcácer Quibir quando o exército português quase foi dizimado pelas forças inimigas. Como o seu corpo jamais foi encontrado muitas lendas foram então criadas pelos crédulos e otimistas, todas alimentando o sonho de que um dia ele retornaria à sua terra para libertá-la do domínio espanhol, restaurando, dessa forma, o império português.
          Uma dessas histórias sustenta que o soberano costuma aparecer nas noites de lua cheia correndo sobre as dunas da ilha dos lençóis.O rei sempre se deixa ver na forma de um touro encantado soltando fogo pelas ventas, aguardando que algum corajoso finalmente apareça e o liberte da maldição que o colocou naquela situação. Ele mora em um palácio de cristal que se ergue no fundo do mar, próximo a ilha, mas não consegue sair de lá, por mais que tente, porque seu navio não encontra a rota correta que o leve de volta a Portugal. A mesma versão garante, ainda, que a Ilha dos Lençóis é encantada, e que se tornou morada do rei português porque os montes de areia nela formados pelo vento, se assemelham aos existentes no campo de Alcácer Quibir, onde dom Sebastião desapareceu.
          O touro negro tem uma estrela de ouro na testa e, se alguém conseguir atingi-la ferindo o animal, o reino será desencantado, a cidade de São Luís irá submergir e, em seu lugar, surgirá a cidade encantada que guarda os tesouros do rei. 
         Ainda hoje os "filhos da lua" ecoam nas rodas musicais iluminadas pela tremula luz das fogueiras  montadas nas praias da ilha: "Rei, rei, rei Sebastião, quem desencantar lençóis vai abaixo o Maranhão."
        Esta lenda da volta de Dom Sebastião é replicada em vários locais. No romance da Pedra do Reino Ariano Suassuna revela que o beato também apregoava esta volta.
A Ilha dos Lençóis não deve ser confundida com os Lençóis Maranhenses, parque nacional situado a leste da Ilha de São Luís (lado oposto ao da ilha).

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